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Ribeirão da Ilha - O eterno charme do Ribeirão da Ilha
A comunidade mais antiga e tradicional de Florianópolis conserva o que até em Açores já não existe

Débora Sanches

Nada um dos 21 quilômetros da rodovia Baldicero Filomeno transpira história. A estrada faz a ligação do Ribeirão da Ilha com o restante de Florianópolis. Localizado ao sul da Ilha de Santa Catarina, o Ribeirão é a mais antiga e tradicional comunidade da Capital. Seu conjunto arquitetônico colonial, muito bem preservado no centro da freguesia, é um dos raros exemplares de valor histórico do litoral catarinense, evidenciando em seu casario a presença marcante do imigrante açoriano.

A ocupação da região se deu de forma espontânea desde o início do século 16, quando os navegadores portugueses e espanhóis exploravam o sul do continente americano. Porém, a efetiva colonização do lugar aconteceu quando chegaram os primeiros imigrantes vindos do arquipélago dos Açores, entre 1748 e 1756.

Até pouco tempo atrás o Ribeirão era uma comunidadeque tinha na agricultura e na pesca suas atividades principais.
Dona Nilza Damásio, uma das moradoras mais antigas do local, diz que o terreno onde está localizada sua casa fazia parte de uma plantação de café. "Aqui se plantava milho, mandioca, trigo, arroz e cana", lembra dona Nilza. O tempo passou, mas parece ter esquecido de visitar o Ribeirão. A impressão mais forte é a de que o relógio parou ou marca as horas de uma forma mais lenta.

Caminhar pelas ruas do centro da freguesia é vislumbrar uma Florianópolis provinciana, com ares de cidade do interior, pacata, ordeira e graciosamente encantadora. A passagem diferenciada do tempo no Ribeirão é evidente para o jornalista português Vitor Alves. Natural da ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, Vitor encontrou na comunidade muitos traços em comum com o berço cultural da Ilha de Santa Catarina.

De passagem pelo Brasil para a gravação de uma série de reportagens sobre a influência da colonização açoriana em Florianópolis, Vitor se diz surpreso de encontrar preservados na localidade muitos traços arquitetônicos e culturais como os presentes na Festa do Divino. "Vários pontos tradicionais de Florianópolis conservam aspectos tanto nas construções e na cultura que não existem mais nos Açores.

Lá costumamos dizer que a Ilha de Santa Catarina é a décima ilha do arquipélago açoriano", declara o jornalista. Para o sargento da reserva e artista plástico
Leonel Monteiro, o Ribeirão é, além de fonte de inspiração, é um dos melhores lugares para se viver em Santa Catarina. Todos os dias ele se instala próximo da igreja oitocentista para pintar seus quadros. "Aqui tenho sossego e qualidade de vida", diz.

Tempo suspenso A igreja, os casarões e a praia: marcas do passado atraem cada vez mais os visitantes da Ilha de Santa
Catarina, fazendo do Ribeirão um pólo turístico durante o ano inteiro

História

A imagem de Nossa Senhora da Lapa chegou ao Ribeirão em 1760. Na mesma época uma singela capela foi erguida para abrigá-la. Mas somente em 1806 é que ficou pronta a igreja consagrada à sua devoção. A igreja de Nossa Senhora da Lapa é uma das poucas com importância histórica da Capital que conserva
intactas, externamente, as características coloniais de sua construção.

Apesar disso, inúmeras reformas alteraram o templo por dentro e mãos de tinta encobriram pinturas centenárias em seu teto e em suas paredes com mais de 80 centímetros de espessura. Ao lado da Igreja está a capela dedicada ao Divino Espírito Santo, considerada por especialistas como a que melhor preserva as características originais desse tipo de construção.


Atualmente, Florianópolis tem se expandido para o sul e o Ribeirão é um dos lugares mais procurados para novas moradias. Várias praias fazem parte do distrito, como a dos Naufragados, porém a grande maioria é muito pouco freqüentada. A praia da Freguesia, como é conhecida toda a orla do centro da comunidade, é a que recebe o maior número de visitantes.

Suas águas mansas atraem algumas famílias que estão em busca de tranqüilidade. Além do turismo, a economia local vem sendo impulsionada pelo cultivo de mariscos e ostras. Por toda a orla observam-se "sítios" de criação destes moluscos que garantem a sobrevivência de muitos pescadores da região.

Fonte: Especial para o Jornla A Notícia - AN Verão
 
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