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Cá herdou a tradição familiar de entalhar barcos com enxó em troncos de garapuvú Felipe Nunes Muitas canoas e baleeiras centenárias utilizadas em Santa Catarina foram feitas pelo avô do pescador Luiz Cláudio da Silva, 32 anos, o Cá, que hoje segue a tradição da família. Morador da Freguesia do Ribeirão, no Sul da Ilha, Cá é a atração dos visitantes. Apenas com um enxó (peça de ferro em formato de garra) e um tronco de Garapuvú, árvore da região, Cá produz uma canoa para pesca. Todo trabalho do artesão é manual. “Fazer canoas é a minha vida e se parar fico doente”, afirma Cá. Ele ressalta que as canoas só podem ser feitas artesanalmente, pois os equipamentos industriais não se adaptam às curvas do barco. “É um trabalho que exige muita paciência e precisão”, diz o pescador. Antigamente o único meio de sobrevivência dos pescadores da região era a pescaria e para isso tinham de confeccionar seus próprios barcos. Atualmente com a proibição do corte das árvores, e a baixa procura de pescadores por canoas, Silva faz os barcos para decoração de restaurantes e residências. A confecção de canoas, segundo ele, começa pelo corte do tronco. Durante esse processo a tora não pode rachar. Em seguida toda a casca da árvore deve ser tirada para então riscar a madeira com o enxó, deixando a proa e poupa mais altas que o centro. “Depois desse trabalho, é só esculpir a madeira e pintar a canoa”, acrescenta Cá. O orgulho do artesão foi a construção de seu próprio barco, atualmente utilizado por ele para pescas diárias. “Fico feliz em ter construido minha embarcação. A emoção de vê-lo depois de pronto é enorme”, ressalta. Atualmente, poucos pescadores se interessam pela confecção de barcos. Esta arte centenária corre o risco de acabar e fazer parte de livros de história. “Antes fazer barcos era uma questão de sobrevivência, mas agora para muitos é um sacrifício, pois podem comprar outros tipos de embarcações em lojas”, lamenta o artesão. O sonho do pescador é confeccionar barcos de diversos tipos e montar um museu. Nesta temporada, Cá, aos domingos, vai construir as canoas na praça da Freguesia do Ribeirão para ensinar às pessoas esta arte centenária. “Vou ensinar as pessoas interessadas todos os passos para a costrução de canoas sem cobrar. Meu objetivo é não deixar morrer esta cultura“, finaliza. Fonte: Jornal Diário Catarinense - 28/12/2001 |
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