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Praia do Matadeiro - Matadeiro Surfe e sossego
É uma das poucas praias da ilha onde não se chega de carro, por isso ainda se encontra tranqüilidade

Fábio Mafra

A praia do Matadeiro, a cerca de 30 quilômetros do Centro de Florianópolis, se mantém até hoje como um recanto de paz e tranqüilidade. Por ser uma das poucas praias na Ilha de Santa Catarina onde não se tem acesso de carro - somente por uma trilha calçada, de aproximadamente 200 metros, atravessando o rio que vem da Lagoa do Peri -, a natureza e calma do local estão preservadas. Depois da leve caminhada de menos de dez minutos, o panorama do Matadeiro é deslumbrante: do alto do costão por onde passa a trilha, é possível avistar toda a praia, com aproximadamente um quilômetro de extensão, com areias finas e brancas, com boas ondas e águas límpidas.

O nome da praia tem origem na pesca da baleia, prática comum na região até o início do século passado. Os pescadores colocavam suas armadilhas na praia vizinha - a Armação -, e iam para a lá abater os gigantescos mamíferos marinhos. O Matadeiro, entretanto, só começou a ser descoberto - do ponto de vista turístico - no final da década de 70, pelos surfistas que encontraram ali ondas perfeitas e muita natureza. Eles enfrentavam algumas dificuldades - a ponte não existia e a trilha era mais difícil -, e acampavam na praia.

O esforço sempre foi recompensado com uma fantástica formação de ondas. Até hoje o local é um dos melhores points para a prática do surfe na Ilha. “Quando entra a ondulação Leste, com um vento Sul, as ondas ficam perfeitas”, garante Bruna Melo, de 15 anos, que passa todos os seus Verões na praia. Seguindo a tradição familiar, Bruna também é surfista como os pais, e já disputou campeonatos.

Esta característica das ondas atrai para o Matadeiro um público eclético, formado em sua maioria por jovens e famílias que buscam um pouco de sossego num ambiente agradável, tranqüilo e seguro. Além da beleza natural, o Matadeiro reserva outros atrativos, como uma gruta marinha de mais de 700 anos, conhecida por supostamente ser um centro de energia. Segundo contam moradores mais antigos, a gruta teria sido habitada por índios, escravos e até por fugitivos. Alguns moradores garantem que já viram espíritos, duendes e até o saci-pererê passando por ali. Lendas à parte, vale a pena conferir.

Por ser uma praia de ondas fortes, é preciso ficar alerta. Em alguns pontos há correntes de reversão, conhecidas popularmente por repuxo, que levam o banhista para longe da praia. É importante ficar atento às bandeiras que indicam a condição do mar em cada ponto, ou se informar com os salva-vidas na praia.

As águas são muito limpas e claras, propícias para a prática do mergulho livre. Segundo o relatório da Fatma, Fundação Estadual do Meio Ambiente, toda a extensão da praia é balneável, considerada própria para o banho, livre de poluição. E é assim que os moradores e visitantes pretendem mantê-la por um longo tempo.

Os três bares da praia oferecem serviço de cadeiras e guarda-sol para os clientes. Vale a pena sentar em um deles e bater um bom papo, regado à cerveja estupidamente gelada. Os poucos moradores são muito simpáticos, e podem contar um pouco mais da história e dos segredos do Matadeiro.

Fonte: ClicRBS - Jornal Diário Catarinense
 
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