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Lagoa do Peri - Cachoeiras da Lagoa do Peri
Muito além da fumaça do churrasco

Ana Paula Lückmann

A água é calma, ideal para que os pais fiquem despreocupados em volta da churrasqueira enquanto os filhos brincam sem risco de acidentes. Há até um playground entre o bosque de eucaliptos e uma casa com banheiros públicos. Mas o Parque Municipal da Lagoa do Peri é surpreendente quando o assunto são atrativos para passeios diferentes - que vão muito além das prosaicas "farofadas" de domingo.

Os morros cobertos por vegetação densa escondem paisagens de fazer cair o mais insensível dos queixos. Em alguns locais, tem-se a impressão de ter voltado ao século passado. E é por uma trilha centenária construída por escravos no século 19 que se chega à cachoeira mais próxima, distante cerca de cinco quilômetros do ponto de partida, na beira da Lagoa do Peri.

O percurso inicial é feito entre árvores frondosas, num caminho de pedras construído pelos primeiros moradores para chegar com carros-de-boi até o Sertão do Ribeirão. Outros trechos, porém, são mais fechados, já que a trilha é pouco conhecida e quase não tem freqüentadores. A caminhada é tranqüila até que se chega no local conhecido como "ilha de pedra" - uma pequena península de rochas planas ideal para descanso e lanche, de onde se vê a Lagoa do Peri e a vegetação que a cerca por um ângulo pitoresco.

Com paciência, atenção e silêncio, pode-se inclusive observar a movimentação das aves pelas copas das árvores. Se o visitante for sortudo e tiver bom olho, pode conseguir avistar uma revoada de tucanos. Mais comuns, mas não menos belas, as gralhas azuis se fazem ouvir durante toda a caminhada. Ao sair da ilha de pedra, o percurso começa a ficar íngreme, pedregoso e difícil. Merece atenção o trecho onde a trilha se transforma num amontoado de pedras, que além de serem escorregadias formam fendas onde, contam os nativos, já caiu muita gente e muito bicho.

Figueiras mata-pau, palmiteiros, canelas-sassafrás, garapuvus e figueiras brancas gigantescas se destacam entre a mata nativa que garante sombra o ar fresco na parte mais extensa da trilha. Após cruzar um dos riachos sobre uma improvisada ponte de madeira, atinge-se uma grande clareira onde resistem as ruínas de um engenho, danificadas por bandidos, que queimaram a construção depois de amarrar e espancar os caseiros. Mais adiante, passa-se pelo sítio onde o caseiro, seu Miro, divide a solidão com nove cachorros - que ladram, mas não mordem -, cinco gansos e alguns galos. A casa de seu Miro fica a cerca de 200 metros da cachoeira, cujo barulho de longe indica que o mergulho será inevitável.

Quem tem bom equilíbrio e "manha" para andar em pedras lisas deve obrigatoriamente subir a cachoeira por cerca de 50 metros, onde se chega numa queda d'água mais vertical, entre grandes rochedos. No meio de tanto sossego, é difícil imaginar que, do outro lado da lagoa, alguém consiga se divertir respirando tanta fumaça de churrasco.


Trilhas das Cachoeiras

ACESSO:
pela rodovia SC-405, que dá acesso à praia da Armação. O melhor caminho é entrar na rua da pousada Além do Mar e seguir de carro até a beira da lagoa. A trilha começa quando o caminho fica estreito.

GRAU DE DIFICULDADE:
médio. Exige algum preparo físico.

EXTENSÃO:
6 quilômetros.

TEMPO DE PERCURSO:
na trilha, cerca de 2 horas até a cachoeira. O ideal é reservar pelo menos 5 horas para o passeio todo.

O QUE LEVAR:
água, lanche, sacos para lixo, repelente e protetor solar.

DICA:
vale a pena prestar atenção nos detalhes do caminho centenário, que está em processo de tombamento por seu valor arqueológico.

Fonte: Jornal A Notícia
 
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