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Praia da Armação - Armação de contrastes

Débora Sanches
Especial para o AN Verão

Ainda com ares de vila de pescadores, a Armação vem fascinando cada vez mais seus visitantes. O ponto final para quem chega ao local é a praça da igreja, um largo que concentra quase todos os restaurantes, bares e casas noturnas da região. Uma escadaria leva à praia de areias brancas e finas e de águas limpas e frias. Suas ondas não são constantes e variam de intensidade em seus mais de três quilômetros de extensão.

Ao sul, uma pequena enseada garante que o mar esteja sempre calmo, ótimo para o mergulho. Esta porção da praia, próxima da igreja, é a preferida pelas famílias e pelos pescadores que deixam suas embarcações atracadas perto da Ponta da Companhia. Os barcos coloridos emprestam seu charme ao local, formando uma paisagem única em toda a Ilha de Santa Catarina. Já ao norte, as ondas quebram com força e chegam aos dois metros e meio de altura, atraindo muitos surfistas.

Em torno da capela dedicada a Santa Ana, construída em 1772 e que pouco guarda de seu estilo original, cresceu a comunidade da Armação. Durante todo o século 18 e parte do 19, a caça à baleia foi a principal atividade econômica exercida na região e serviu para fixar no local várias famílias de pescadores. O ofício, passado de pai para filho durante gerações, já não busca mais as baleias, e sim as tainhas. Entretanto, agora a pesca vem cedendo lugar ao turismo.

Hoje a Armação é o segundo balneário mais concorrido ao sul da Capital. Várias pousadas e pequenos hotéis atendem aos visitantes que escolheram o local para descansar. O comércio informal também está presente em diversas feiras de artesanato e na figura dos ambulantes...

Caçada antiga

A caça às baleias foi por quase dois séculos a principal atividade econômica do Sul do Brasil. As armações baleeiras estavam espalhadas pela costa brasileira desde o litoral baiano, mas eram as de Santa Catarina as mais rentáveis. O motivo é simples: a costa catarinense sempre foi local de procriação das baleias franca, principal espécie de mamífero marinho caçado entre os séculos 18 e 19.

Uma baleia franca atinge em média 16 metros de comprimento e mais de 30 toneladas de peso. Seu grande valor comercial não estava na abundância da carne, que não era aproveitada, e sim no óleo e nas barbatanas. Cada animal chega produzir cerca de 6.700 litros de óleo e 240 quilos de barbatanas. O óleo era o principal produto, utilizado na iluminação e na argamassa das construções. Já a barbatana tinha diversas finalidades, entre elas servir como armação dos vestidos das damas das cortes européias.

Esta atividade foi por muito tempo monopólio da coroa portuguesa, com utilização de trabalho escravo. Quase tudo o que era produzido foi exportado para a Europa. Na segunda década do século 19, companhias pesqueiras inglesas estabeleceram-se nas Malvinas, no litoral argentino. Elas passaram a caçar as baleias antes que estas pudessem alcançar o litoral catarinense. A pesca, que já estava rara devido à caça indiscriminada por mais de um século, entrou em decadência.
Na última década, as baleias franca voltaram ao litoral catarinense e, no inverno, elas fomentam uma modalidade nova de turismo: o turismo de observação. A praia da Armação é um dos melhores pontos da Capital para se observar baleias.

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...a fome e tanta que vai uma jacuva mesmo!

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