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Praia da Armação - Portugueses exploravam a atividade

Portugueses exploravam a atividade

A pesca da baleia existia no litoral catarinense desde 1746, mas iniciou-se na Armação em 1772, promovida por uma companhia de pesca sediada em Lisboa que arrendava da Coroa Portuguesa, detentora exclusiva, o direito à exploração da atividade, que utilizava mão-de-obra escrava e de habitantes do litoral, descendentes de açorianos e familiarizados com esse tipo de empreitada. As construções básicas das antigas armações eram casa dos tanques, utilizados para a extração do óleo, a casa do administrador, as casas dos feitores, as moradias dos baleeiros e as senzalas. Ao redor, havia também a capela, com imagens dos santos protetores e espaços onde praticava-se agricultura de subsistência.

Durante o período de maior atividade, eram capturadas entre 400 e mil baleias por ano, mas, no dia 13 de novembro de 1827, um decreto e uma resolução da Assembléia Geral determinaram que as armações fossem leiloadas, uma espécie de avó das privatizações. Menos de quatro anos depois, quando a Armação do Pântano do Sul foi arrendada por Veríssimo Mendes Viana e associados, estava abandonada, com os edifícios arruinados. O declínio da atividade pesqueira acentuou-se pouco depois, em meados do século 19, com a utilização de outros combustíveis, como carvão de pedra e, depois, o petróleo. A caça à baleia, no entanto, só veio a ser proibida no Brasil em 1987.

O principal produto de exportação das baleias eram as barbatanas, utilizadas na confecção de toda espécie de quinquilharias: guarda-chuvas, tabaqueiras, piteiras, cachimbos, estojos, bengalas, chicotes, escovas, brochas, penachos, instrumentos de física e química, armações de chapéus, de golas, de mangas, de saias e espartilhos. Depois de removidas das baleias e limpas, estavam prontas para atender às necessidades das manufaturas e eram enviadas a Lisboa, de onde eram reexportadas. Os principais consumidores eram França, Holanda, Itália e Espanha.

O óleo da baleia destinava-se quase todo ao mercado regional. A produção era boa. Geralmente metade do peso da baleia franca correspondia ao óleo, extraído das camadas de gordura, que tinham entre 20 e 50 centímetros de espessura. Seu principal uso era nos lampiões, que o utilizavam em toda parte, menos nas capelas, onde queimavam azeite de oliva importado de Portugal.

Também era aproveitado para lubrificação de engrenagens, fabricação de velas, confecção de tecidos grosseiros de lã, preparo de couros, tintas, vernizes, sabões, enxofre e breu para a calafetagem de navios, além de ser acrescentado à argamassa de construçõess no litoral e servir como impermeabilizante

Já a carne era cortada e picada em postas, mas seu sabor não era muito agradável, então servia como alimento para os escravos e pobres. Os tendões, por sua vez, eram matéria prima para a fabricação de cordas.

Fonte: Jornal Diário Catarinense, em 21/02/2002

 
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