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Sul da Ilha de SC é cemitério de navios
O fundo do mar da Ilha de Santa Catarina guarda tesouros históricos incalculáveis,  principalmente na sua parte Sul. E é lá que se concentram as principais pesquisas arqueológicas no Estado.

Duas equipes possuem estudos nesta região. Um deles é coordenado pela ONG Projeto Barra Sul, cuja concessão para exploração já foi inclusive liberada pela Marinha, segundo o diretor comercial da ONG, Gabriel Correa. Os integrantes do projeto começaram as pesquisas, de maneira informal, em 1986, sendo que nos últimos anos contam com a parceria do Núcleo de Arqueologia da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Segundo Correa, sua equipe já mapeou três naufrágios históricos no Sul da Ilha.

Outro trabalho na mesma região vem sendo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Oceanográfias Solis-Caboto. Em 2004, o Iposc recebeu da Marinha a licença para pesquisar em um quadrilátero de 200 quilômetros quadrados no Sul da Ilha. Um dos fundadores do instituto, Wilson Santos Filho, contratou o pesquisador Dwight Coleman - que fez parte da equipe de Robert Ballard, o homem que encontrou o transatlântico Titanic e o navio alemão Bismarck - para ajudar nas buscas. O projeto também contou com a parceria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Enquanto faziam a pesquisa, começaram a aparecer peças e artefatos de navios afundados.

- Notamos que são várias as embarcações naufragadas no local, e achamos melhor fazer, primeiro, um mapeamento da área para depois, com financiamento público ou privado, iniciar realmente o trabalho de resgate arqueológico - explica Wilson.

Região era entreposto de galeões que vinham do Rio da Prata

Este trabalho resultou no documento Resgate Barra Sul - Carta Arqueológica do Patrimônio Cultural Subaquático da Barra Sul. Os pesquisadores mapearam oito naufrágios históricos, ocorridos no Sul da Ilha entre 1516 e 1583.

Entre os barcos registrados há um galeão do explorador Juan Diaz de Sólis. O barco zarpara do Peru, carregado de ouro dos incas, com destino à Espanha. Parou na Ilha de Santa Catarina para abastecer e depois afundou.

Segundo Wilson, toda embarcação tinha um registro de entrada e saída do porto. Os únicos que não deixavam pistas eram os piratas - e por aqui havia muitos deles, uma vez que o porto de Santa Catarina era um entreposto dos galeões que vinham do Rio da Prata, na Argentina, e de embarcações provenientes do Peru. A maioria trazia ouro extraído dos incas.

- Com certeza, estamos falando do maior sítio arqueológico subaquático de todas as Américas - festeja Santos.


Tragédia batizou praia

O principal e mais conhecido naufrágio registrado em águas catarinenses acabou batizando a Praia de Naufragados, no Sul da Ilha de Santa Catarina,. Duas embarcações de médio porte usadas pelos portugueses afundaram bem em frente à praia, em 1753.

Seguindo ordens da Corte Portuguesa, cerca de 250 colonos açorianos viajavam ao Rio Grande do Sul quando aconteceu o acidente. Só 77 colonos escaparam, dos quais parte ficou na Ilha e outros seguiram para Laguna, além de outras cidades no Rio Grande do Sul.

Muitos antes desse fato, porém o Sul do país já era cenário de naufrágios. Em 1514, Juan Diaz de Sólis, um dos fundadores da Região do Prata, deixou na Ilha de Santa Catarina 21 dos seus marujos, pois uma de suas embarcações havia naufragado e faltava espaço para todos. Ficaram em território catarinense 40 homens, por mais de 40 anos. Em 1515, nas cartas náuticas da expedição Sólis, um único ponto da costa catarinense mereceu ser assinalado: a Baía dos Perdidos, a região oceânica entre a Ilha e o Continente onde aconteceu o naufrágio do ano anterior.

O povoamento do território catarinense está intimamente ligado aos interesses de navegações portuguesas e espanholas. O Litoral servia como ponto de apoio para atingir a região do Rio do Prata. Por isso, entre os primeiros povoadores estavam náufragos, como os sobreviventes da expedição de João Sólis.
 

 

Publicado: Diário Catarinense - www.diario.com.br, em 16/03/2008.

 
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