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Berbigão ajuda na renda de 25 famílias
Doze horas diárias de trabalho são voltadas para coleta, lavação e venda dos moluscos.
Menos famoso que a ostra ou o marisco, o berbigão é fonte de renda para diversas famílias da Grande Florianópolis. Na Costeira do Pirajubaé, perto do trevo da Seta, a rotina de diversas famílias é de doze horas voltadas aos trabalhos com o pequeno molusco quase todos os dias, desde a coleta, a lavagem e a venda.

“Dá pra tirar dinheiro pra comprar comidas, mas não dá pra muita coisa além disso não”, diz a catadora (ou “extrativista”, como diz quem vive da atividade) de berbigão Claudete Pereira.

Rotina
"Hoje os homens é que vão lá buscar. Pra mulher, fica muito pesado", conta Claudete

Claudete, 40 anos, está há 30 na atividade e começou ajudando os pais, que também eram catadores de berbigão. Mas hoje ela não vai mais ao mar da baía Sul para buscar os pequenos moluscos. “Hoje os homens é que vão lá buscar. Pra mulher, fica muito pesado”, conta Claudete, que teve reclama das dores nas costas e da hérnia por causa do excesso de peso que carregava. Ela estima que aproximadamente 25 famílias da região, perto da ponte sobre o rio Tavares, vivem da coleta dos moluscos.

A coleta do berbigão começa por volta das 6 horas, quando a maré na foz do rio Tavares e no mar da baía Sul geralmente está mais baixa, e pode se estender até o início da tarde, dependendo da maré. Em dias bons, conta a catadora Sirlei Antunes, ela conseguia trazer até 12 latas (cada lata corresponde a cerca de um 1,2kg do molusco), mas conhece pessoas que trazem de 15 a 20. Sirlei deixou de coletar berbigões há cerca de seis meses e hoje a-juda Claudete no processamento dos moluscos.

O berbigão coletado geralmente pelos homens é vendido por uma média de R$ 3,00 o quilo às mulheres que fazem o processamento artesanalmente, como Claudete. Em um barraco de madeira às margens do Rio Tavares, ela e as ajudantes Sirlei e Ana Paula Silveira lavam e cozinham os berbigões para facilitar a separação da carne com a concha, feita em seguida. Depois, a carne do molusco é ensacada e vendida.

Felipe Silva [ Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo ]



Pesquisador estuda sementes

Pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estudam o desenvolvimento de sementes de berbigão (Anomalocardia brasiliana) em laboratório para produção em cativeiro.

A proposta é de identificar o melhor período do ano para realizar a produção de larvas do berbigão, a melhor densidade de cultivo e periodicidade em que devem ser feitas as trocas de água durante a etapa de produção de larvas e a melhor metodologia de cultivo para que o molusco atinja o tamanho comercial.

“A geração destas informações consolidarão cada vez mais o Brasil como destaque na produção de moluscos no cenário latino-americano”, avalia o pesquisador Gilberto Caetano Manzoni, do Laboratório de Pesquisas de Moluscos do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar/Univali).

Manzoni acredita que seja necessário o desenvolvimento de uma tecnologia de produção de sementes em laboratório para que seja viabilizada a recuperação dos estoques naturais ou até mesmo o cultivo da espécie.

“A Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé (Remapi) foi criada em 1992 para realização de exploração sustentável, mas a não observação das recomendações do plano de manejo provocou mudanças significativas na estrutura populacional, evidenciando indícios de sobreexplotação deste recurso”, afirma Manzoni. Dados obtidos pela universidade mostram que naquele ano foram coletadas 947,41 toneladas do molusco na área da Remapi, que abrange parte dos bairros Carianos, Rio Tavares e Costeira do Pirajubaé.



Grupo pede melhor estrutura

Os principais compradores dos berbigões são de outros estados, quase sempre de São Paulo - os catadores divertem-se com o estranho nome dado pelos paulistas ao molusco (“vôngole”). “É ‘vôngole’, ‘vôngolo’, mais ou menos isso aí”, brinca Sirlei. O preço do quilo vendido aos revendedores fica entre R$ 5,00 e R$ 6,00 e, nas peixarias da Capital chega a R$ 7,00 ou R$ 8,00.

A coleta de berbigão é feita praticamente apenas por famílias de baixa renda. Claudete Pereira acha que projetos de incentivo à extração do molusco seria benéficos às pessoas que vivem da atividade. Ela avalia, ainda, que precisa de um local com mais estrutura para processar os berbigões. “Teve um pessoal fazendo pesquisa com a gente, mas ainda não tô sabendo de nada”, conta.

Apesar das dificuldades, ela acredita que a atividade não está em declínio. “Sempre dizem que tá acabando, mas parece que quanto mais tiramos, mais tem”, afirma. A situação mais complicada no início do ano, quando o comércio de berbigões chegou a ser proibido, junto com o de ostras e mariscos, por causa do aparecimento de algas nocivas no mar da baía Sul. O verão é tido como a melhor época para a coleta dos moluscos.

Além da venda, o berbigão é usado e apreciado pelos catadores para a alimentação própria. Há diversas formas de preparar o molusco, dependendo do gosto de cada um.

Sirlei Antunes gosta muito de fazer pastel de berbigão. Ana Paula Silveira prefere a torta, feita do mesmo modo que uma de carne ou de frango.

Larvas estão sendo produzidas em laboratório

O Laboratório de Moluscos do CTTMar/Univali trabalha desde 2005 com berbigões e é pioneiro na produção de larvas em laboratório no Brasil. Segundo os resultados já levantados, o processo de metamorfose inicia no décimo dia, quando as larvas se transformam em plantígradas bentônicas ou pré-sementes, nos próprios tanques de larvicultura, não necessitando de substratos adicionais para completar esta metamorfose.

No décimo sétimo dia, as larvas apresentam em torno de 300 micras (0,3mm) e já é possível diferenciar os sifões (órgão por meio do qual se estabelece comunicação entre a cavidade respiratória e o exterior nos moluscos), exalante e inalante. Com 57 dias, as sementes apresentam o comprimento de 1mm.

Entretanto, o pesquisador Gilberto Manzoni explica que nestes experimentos preliminares não foram avaliadas as densidades de cultivo, crescimento e sobrevivência das larvas associadas a distintos períodos de renovação da água: “Estas informações são fundamentais para que se estabeleça um protocolo de produção de sementes. Além disso, também não existem informações do crescimento e sobrevivência das sementes cultivadas no ambiente natural e no laboratório”, relata.

Fonte: Jornal A Notícia  - AN Capital, em 11/11/2007.

 
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