Delimitação com bóias e fiscalização rigorosa evitam acidentes e diminuem crimes ambientais
Alexandre Lenzi [
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]
A criação de zoneamentos delimitando áreas
específicas para as diferentes atividades exploradas na Ilha do
Campeche é umas das sugestões apresentadas pelas estudantes de
oceanografia Andreoara Schmidt e Maria Luiza Lima, que durante um ano
estudaram um dos principais pontos turísticos da Capital.
O trabalho
foi uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan) e Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e está
sendo apresentado a autoridades públicas e comunidade.
Localizada no
Sudeste de Florianópolis, a Ilha do Campeche foi tombada em 2000 pelo
Iphan como Patrimônio Histórico e Ecológico nacional.
Hoje, além da
presença dos pescadores, o local recebe turistas interessados em
mergulhos, caminhadas pela mata e visitação aos sítios arqueológicos
encontrados na ilha que tem 1,5 mil metros de extensão. Anualmente é
renovado um contrato para ajuste de conduta das atividades realizadas
na localidade, assinado geralmente entre outubro e novembro.
A
arquiteta Cintia Chamas, da 11ª superintendência do Iphan, diz que o
estudo realizado pelas acadêmicas da Univali será avaliado para que
possíveis mudanças possam ser efetuadas já no próximo acordo. “Vamos
sentar com a comunidade e avaliar as sugestões deste belo trabalho para
então traçarmos um cronograma de implantação das mudanças”, afirma.
As
estudantes Andreora e Maria Luiza defendem que o trabalho realizado é o
início de um levantamento mais aprofundado. Nesta primeira etapa, elas
focaram o trabalho no controle das atividades realizadas na ilha e no
perfil dos pescadores que vivem na região.
Foi realizado ainda um
levantamento da fauna local. Entre os animais encontrados, as
estudantes catalogaram espécies ameaçadas de extinção, como alguns
exemplares de lagostas e ouriços e o peixe mero, protegido da caça por
lei. A ilha também recebe visitas de baleias francas e lobos marinhos,
além de golfinhos e tartarugas.
A variedade de aves também é grande,
sendo que o atobá, o biguá, o tesourão, a gaivota e o albatroz estão
entre as mais freqüentes. As espécies de peixe exploradas
comercialmente mais comuns são anchova, linguado, bacalhau e lula.
Cintia Chamas, do Iphan, defende que o conhecimento do ambiente marinho
e das questões sociais inerentes é fundamental para a conservação do
bem tombado, sendo o primeiro passo no sentido de se implementar um
plano de gestão.
Preservação é maior após o tombamento
Apenas
depois do tombamento pelo Iphan em 2000, a visitação na Ilha do
Campeche passou por remodelações. Hoje a fiscalização do trabalho das
escunas, botes e restaurantes conta com apoio do Ministério Público
Federal, Polícia Ambiental e Capitania dos Portos, além do próprio
Iphan.
A demarcação com bóias das áreas para banho e para as
entradas e saídas das embarcações ocorreu entre 2004 e 2005. No ano
seguinte foi realizada a sinalização das trilhas subaquáticas. As
pesquisadoras defendem o credenciamento apenas de atividades coerentes
com a conservação do patrimônio e sugerem a cobrança de uma taxa das
empresas que atuarem na ilha. A arrecadação seria investida em
preservação.
Saiba mais
Recomendações das pesquisadoras
• Criação de um zoneamento marítimo, estabelecendo áreas exclusivas para determinadas atividades.
• Para o ordenamento da praia, a alternativa é a implantação de uma estrutura física de demarcação.
• O monitoramento deve ser reforçado nas atividades de mergulho, com elaboração de relatórios pelas empresas.
•
Investimentos no resgate da memória local, com a criação de um museu
interpretativo, ciclos de palestras e exposições fotográficas.
• Elaboração de um perfil dos visitantes.
Fonte: Jornal A Notícia - AN Capital, em 10/09/2007
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