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Praia da Solidão - É só sossego!
Praia do sul da ilha de santa catarina se revela
para turistas como um dos mais belos recantos da cidade

Fábio Bianchini

Desde que o ser humano começou a produzir literatura, especialmente as vertentes mais líricas, um dos sentimentos mais escorraçados e maltratados tanto em prosa quanto em verso é a solidão. Só lhe dão valor nos momentos de trabalho, estudo ou concentração, o que acabou atribuindo ao termo “solidão” um sentido pesado, triste e angustiante. Mas será que é assim mesmo? Afinal, o que é uma ilha, como a de Santa Catarina, senão um pedaço de terra, solitário entre a imensidão do mar? Será que estar consigo mesmo é estar mal acompanhado? Fama injusta para o nome Solidão, ainda mais se levarmos em conta que ele batiza uma das mais belas praias de Florianópolis, no Sul da Ilha, entre a baía do Pântano do Sul e o Saquinho.

A Praia da Solidão é facilmente acessível, mas sua localização, entre encostas de morros ainda cobertos da Mata Atlântica, garante a paz e o sossego indicadas pelo nome, ainda que de solitária ela não tenha quase nada, pois há várias pessoas morando ali: às casas dos pescadores, primeiros moradores do local, misturam-se novas habitações, com projetos sofisticados e telhados assimétricos, encravadadas nos morros ou logo diante da faixa de areia larga, de cerca de um quilômetro de extensão, banhada por águas claras, que ficam geladas em dia de vento sul. Emolduradas por esse mar calmo, mas com ondas definidas, dois dos arquipélagos mais conhecidos de Florianópolis ficam bem na frente da Solidão: as Ilhas Moleques do Sul e as Três Irmãs.

Desembocando na praia, próximo do costão que separa a Solidão do Saquinho, fica o Rio das Pacas, córrego da água limpa, que começa doce no alto do morro e mistura-se com a água do mar quando chega embaixo. No caminho, cerca de 15 minutos de caminhada encosta acima a partir da areia, o rio passa por uma bela cachoeira, que forma piscinas naturais. A praia, aliás, era chamada de Praia do Rio das Pacas até cerca de 20 anos atrás, quando alguém rabiscou a palavra “solidão” numa das pedras do costão e o novo nome acabou pegando. Além de não batizar mais a praia, o rio perdeu também os animais que lhe deram a denominação, já que não há mais pacas ali. “A matança foi grande”, lamenta o garçom Kléber Rodrigo, de 19 anos, que mora e trabalha no local. Mesmo sem as pacas, a tranqüilidade e beleza do local parecem mudar o ritmo da passagem do tempo, impressão reforçada pela pouca luz do sol que bate ali, graças à cobertura da copa das árvores. Tanto que Chico, o galo de Seu Aristeu, morador da praia, não se constrange em cantar às 18h, como se vivesse em outro hemisfério.

Todas essas belezas naturais e essa tranqüilidade formaram um público fiel, se não muito numeroso. A bancária Marisa Vieira, 40 anos, há 20 vem sempre para a praia, onde passa os fins de semana na casa que tem ali, em cima das dunas, bem na frente da areia. Hoje sua companheira mais freqüente é a filha Gabriela, de 14, que costumava preferir a agitação da Joaquina. Mas agora, além dela mesmo estar um pouco mais tranqüila, o isolamente da praia da Solidão diminuiu. “Quando comecei a vir para cá, havia apenas uma poucas casas de pescadores, mas agora tem mais gente. Além dos moradores da área, vêm para cá surfistas e argentinos, o pessoal que fica na praia de Açores ou está indo ou voltando de Naufragados”, conta.

Um dos argentinos que descobriu a localidade recentemente é o webdesigner Gonzalo Bové, 32 anos, de Buenos Aires. Até três anos atrás, ia sempre para as praias do Norte, principalmente Canasvieiras. “Assim que chegava na rodoviária ou no aeroporto, era levado para lá pelo pessoal das imobiliárias. Eu pensava que a cidade era só o centro e o Norte, nem desconfiava que existisse o Sul, que é muito mais bonito, tranqüilo e autêntico”, afirma.

Fonte: Jornal Diário Catarinense / O DC - em 28/02/2002
 
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